LABORATÓRIO DE ARTES VISUAIS 2019

OMA Galeria

Do dia 01/11 a 14/11 de 2019, os artistas Alan Oju, Ana Helena Lima, Daniel Alonso, Elton Hipólito, João Reynaldo e Marcella Morijo   apresentam a exposição do Laboratório de Artes Visuais 2019 na OMA Galeria

Link para o CATÁLOGO

 

Ao longo dos últimos seis anos tive a oportunidade de conviver com diversos artistas jovens no perfil dos artistas que a OMA Galeria trabalha. Essa experiência tem me mostrado o quanto a produção de arte contemporânea é qualificada e diversa no Brasil, a despeito de todas as adversidades que enfrentamos no dia-a-dia para produzir cultura de um modo geral, em um país onde o estímulo para essa produção é pífio. O Laboratório OMA de Artes Visuais se apresenta então nesse contexto como uma das melhores alternativas para o desenvolvimento de artistas visuais. Com esse grupo discutimos durante um ano inteiro sobre todas as engrenagens que compõem o complexo circuito de arte, dos colecionadores a curadores, críticos, artistas, galeristas, jornalistas, consultores, diretores de museus e das principais feiras de arte do país, diversos atores do nosso meio, ouvindo na maioria das vezes diretamente dessas pessoas suas experiências acumuladas ao longo dos vários anos de atuação. Fato é que artistas saídos desse

 

Laboratório hoje já integram o casting de outras galerias de arte, são apresentados como grandes novidades em feiras, participam de mostras coletivas e individuais pelo país inteiro e também no exterior, são selecionados em diversos editais e salões de arte, ganham prêmios, e estampam jornais e revistas. Enfim, circulam hoje com autonomia, e com certeza em alguma medida fruto das discussões por vezes acaloradas que aconteceram ao longo do ano no Laboratório. Hoje os artistas Alan Oju, Ana Helena Lima, Daniel Alonso, Elton Hipólito, João Reynaldo e Marcella Morijo são representantes de outros 19 artistas que não estão nessa exposição de encerramento, mas que igualmente fazem parte dessa 5º Edição do Laboratório OMA de Artes Visuais e colherão frutos das trocas aqui vivenciadas. É com muita honra que encerramos mais esse ciclo mantendo a nossa missão de transformar a partir da arte e cultura, e abrimos as portas para a nova temporada de 2020.

THOMAZ PACHECO

 

A princípio, a presente exposição não busca compreender um diálogo sonoro e assertivo, pois as obras aqui reunidas são a entonação de um projeto cujo exercício poético está atrelado ao ato experimental da produção individual de cada artista, hora dentro, hora fora. Na obra de Alan Oju uma grande faixa se estende sobre vergalhões, dessa forma conflitando com o acesso da própria galeria, não de forma impeditiva, mas contestadora. Portanto quando o artista se apropria de mensagens publicitárias destinadas ao mercado imobiliário e desloca seu sentido de modo expandido, Oju provoca atritos entre o sujeito e o espaço urbano, seu ato de ressignificação discursiva questiona as relações sinuosas que se dá entre indivíduo e sua alienação cotidiana. Mergulhando em uma profusão caótica de uma necessidade exacerbada pela busca de sentido, Daniel Alonso exibe sua compulsão pela repetição. Onde um grande livro formado por páginas de diferentes tamanhos é tomado pelo excesso do gesto mecânico de carimbar, apesar do artista lidar com formas que se submetem a uma geometria linear, seu ato compulsivo se expande pelas paredes rompendo com a estrutura lógica de uma semiótica aplicável, logo a compreensão de que existe uma ordem dentro do caos provoca um desejo de encontrar uma reorganização dentro deste caos. Enquanto nas pinturas de Elton Hipólito, em um primeiro momento as casas em ruinas provocam um sentido lúdico, no entanto os detalhes por menores diluem o lúdico para trazer o drama de uma memória dolorida. As ruinas retratadas são oriundas de um crime socioambiental provocado pelo rompimento da barragem de Fundão em Bento Rodrigues - MG, onde o artista durante o período em que atuou como restaurador, coletou rejeitos de minério, tornando-os pigmento para suas pinturas. O material carrega uma essência fenomenológica que não pode ser ignorada perante o olhar sensível, visto que a ação do artista junto a terra entra em comunhão ao ato poético, que quando colocado sobre o tecido branco da tela cria uma alusão de sudário.

 

Nos trabalhos de Ana Helena Lima, o tempo é quem rege a criação imagética da obra, através de um processo de fitotipia, a artista provoca associações ambíguas de aparição e apagamento de sua própria imagem, ao impor imagens sobre folhas de lírio, cuja as ações são suscetíveis a exposição da luz, esse processo cronotópico expõe uma fragilidade da identidade e memória de um indivíduo perante um tempo indômito. João Reynaldo em sua grande página se debruça sobre uma máquina de escrever redigindo um texto em brazilian english, criando narrativas que transportam o espectador para diálogos e histórias difusas. A imagem do todo é intimidadora, sua dimensão e seu agrupamento de letras perturba, o ato do artista datilografar por meios pouco usuais demonstra um gesto altruísta da escrita pela escrita, sua obra não é simplesmente imagética no sentido primário, ela possui a necessidade do tempo de observar para além daquilo que o todo representa, existe um sentido linguístico que transborda um discurso subjetivo entre imagem e texto. A escrita também está presente nas pinturas de Marcella Morijo, porém sua pesquisa aborda questões de identidade em convergência as novas tecnologias, se utilizando de mensagens ditas e não ditas por meio do celular, pois aqui é evocado uma profunda reflexão daquilo que não é compreendido pelo que foi dito através de uma tela, Morijo fala de uma ausência vivida na relação interpessoal, de tal modo que nos rendemos a um código que não é capaz de interpelar nossos sentimentos.

ANDREY ROSSI

03XDISTOPIAS

PASSAGEM LITERÁRIA DA CONSOLAÇÃO 

Do dia 22/02 a 30/03 de 2019, os artistas Ck Martinelli, Elton Hipolito e Luiz83  apresentam a exposição coletiva 03XDISTOPIAS, na Passagem Literária da Consolação (São Paulo-SP). Com texto curatorial de Camila Marchiori e Luiz Brandão.

03XDISTOPIAS

 

A Distopia, ou a antiutopia, se caracteriza pelo autoritarismo e pela ação opressiva no controle da Sociedade que podemos reconhecer através do ódio virtual, pela vigilância constante, intolerância, totalitarismo, apatia social, descontrole tecnológico e ambiental. Uma miríade de acontecimentos, onde as notícias atropelam-se umas sobre as outras levando toda a sociedade há um estado amorfo. Alegorias, vitrines e artificialidades são sintomas de que a realidade ficcional diatópica já são presentes, apesar dos avisos prementes que vem desde o século passado.

Refletir sobre a contemporaneidade é surtar sobre a gama de colapsos que passamos diariamente. Quais e como pensar o assunto mais urgente? Como selecionar as urgências? Existe hierarquia entre as urgências? O que podemos afirmar mesmo que sem respostas as questões acima?

Entre a existência fugidia, a superficialidade dos relacionamentos e o consumo desenfreado têm o anuncio das condições que se encontram toda a sociedade em atender mais os interesses político-econômicos as nossas necessidades reais e, com efeito, a Distopia é acima de tudo constituinte de todo perfil contemporâneo que visam formar um diagnóstico do presente, capaz de identificar os componentes que bloqueiam a emancipação e o avanço de todos os sistemas autoritários. Partindo assim dos desdobramentos sórdidos, a exposição 03xDISTOPIA analisam sintomaticamente os agentes Distópicos que enfrentamos sutilmente no presente, apontando caminhos para refletir criticamente a contemporaneidade que reverberam aqui na mostra não correspondendo aquela velha visão futurista ou de ficção, mas numa previsão do que é preciso combater no presente e tão logo, a narrativa Distopia arregimentam-se num alerta sobre os rumos da sociedade e os desencadeamentos que podem se repetir no futuro sem trégua.  

Especificamente aqui nesta passagem debaixo do asfalto de uma das principais avenidas da capital, artistas anunciam suas formas distopicas já vigentes segundo as suas competências artísticas revelando os fatos e efeitos numa critica a acerca das mutações sociais e suas incidências sobre o campo da subjetividade, da política e da ética adensadas nas obras dispostas neste espaço subterrâneo. Não obstantes e atentos, os três artistas; Ck Martinelli, Elton Hipolito e Luiz83, explanam os pontos de diferentes atritos de uma mesma realidade remetendo-nos as análises radicais do mesmo país, atribuindo desde o ciclo do plástico as relações de poder  num mesmo momento onde tragédias de grande proporção nos leva interrogar a própria cultura do descarte e o seu  impacto através do dejeto industrial somadas as condições imagéticas nas poses (vide fotografias) e igualmente nos grandes lugares que declaradamente personificam-se no “uso” nas silhuetas na forma  de “barro” em determinadas imagens que outrora alastrou-se pela força da catástrofe “anunciadas” e fomentadas pelas controvérsias nas escolhas políticas e dos modelos econômicos que no Brasil onde são dadas impavidamente via as leis da lucratividade estranhamente justificadas.

Em suma, a narrativa desta perspectiva, busca chamar nossa atenção para as relações heterônicas entre subjetividade, sociedade e cultura e imediatamente nesta mostra é resultante da reflexão perante os indícios distópicos da contemporaneidade, possibilitando o reconhecimento deste perfil aqui vigente há tomado da responsabilidade buscando projetar um futuro menos trágico.

CAMILA MARCHIORI  / LUIZ BRANDÃO 

GALERIA NELLO NUNO​

FUNDAÇÃO DE ARTE DE OURO PRETO 

De 03 a 26 de agosto de 2018 o artista plástico e restaurador Elton Hipolito realizou sua primeira exposição individual. Selecionado no edital de ocupação da Galeria Nello Nuno, na FAOP - Fundação de Arte de Ouro Preto-MG.

A exposição "Lacunas da Memória – Fragmentos de um Tempo Esquecido" esta dividida em 3 momentos distintos na produção do artista Elton Hipolito, apresentando trabalhos desenvolvidos no período de 2015 a 2018: a série Lacunas da Memória, a série Habitados pelas Memórias e a série mais recente  Marcas

  

Não há um rigor linear na produção das obras, visto que as temáticas das pinturas surgem e ressurgem em diferentes épocas, no entanto os conceitos de cada uma das séries intercalam-se e dialogam-se entre si.

 

Em suas pinturas, Elton busca levantar questionamentos e reflexões que surgem de vivências pessoais e de impressões de nossa sociedade atual inerentes ao esquecimento, a memória, a história, a preservação o pertencimento.

SOBRE O ARTISTA

Em uma época de tanta variedade de recursos tecnológicos, não podemos decretar que o desenho e a pintura estejam ultrapassados e não acompanham nosso tempo, posto que continuarão eternos. O computador substitui muitas atividades manuais, mas não o desenho e a pintura, que ultrapassam seu caráter estético. Elton é um destes artistas que encontram nas técnicas tradicionais seu principal meio de expressão. Nascido em 1983, na cidade de São Paulo, Elton Hipolito sempre deu pistas de que o desenho exerce grande influência em sua vida desde a infância e norteou sua formação. Quando adolescente, cursou a Fundação das Artes, em São Caetano do Sul-SP e mais tarde a Faculdade FAINC, em Santo André-SP, sendo graduado em Artes Plásticas. Aos poucos, foi definindo uma maneira de viver de arte, seja como artista, educador, restaurador ou com montagens de exposição.  Elton se compreende no desenho e na pintura e expressa com clareza, muitas vezes com certa melancolia, as imagens que armazena com as vivências. 

 

Os trabalhos do artista nos possibilitam o deleite do desenho e da pintura em um mundo onde razão e sentimento, muitas vezes distantes, encontram-se. Elton passa horas e dias debruçado em seus trabalhos, e quando os finaliza, inunda o olhar do espectador com uma obra madura, requintada e expressiva. Sua trajetória persegue um determinado assunto. Vai e volta, insiste em determinadas questões. Muitas vezes tratam de transforma-las, mas nunca as abandona por completo. Não são os artistas que procuram seus temas, são eles que não os abandonam. Nem todos os estímulos de quem cria são convocados, mas quando não se espera, eles se manifestam e pedem, com urgência, que sejam registrados.

Elton se revela com caligrafia própria, é uma escrita das vivências revelando sua memória através de imagens que nos impressionam pelo impacto visual dos detalhes, da sensibilidade em reconstruir paisagens urbanas e as pessoas que nelas habitam.  A paixão pelo desenho fez com que o artista aprendesse a olhar para as paisagens e as pessoas. O que lhe interessa não são simplesmente as figuras, mas as histórias que elas revelam ocultando. Em meio a registros de prédios se decompondo na paisagem com o tempo e pessoas comuns vivendo seus dramas diários, o artista, com seu olhar atento e sensível, executa desenhos precisos e pinturas que nos convida a entrar e nos perder em reflexões, trazendo à tona sua visão emotiva, surpreendendo o espectador. Resgatando e registrando suas vivências, Elton, com passos calculados e precisos, vem traçando sua trajetória no cenário das artes visuais, e acredito que continuará a nos surpreender com sua obra. Seu lado de artista generoso não permite que guarde para si suas vivências, ele sempre irá compartilhar seus trabalhos com os espectadores, convidando-os, através do objetivo, invadir o subjetivo da arte.

 

VALDO RECHELO