(IN) RUPTURAS

Em 2018 fiz está pintura que a princípio fazia parte da série "Lacunas da Memória", onde  busco explorar a ideia de construção e desconstrução da memória, relacionado-as a arquitetura das cidades, que tem se transformado de maneira cada vez mais acelerada e desordenada. Camadas vão assim se sobrepondo aos estilos de determinadas épocas, identificados na materialidade da arquitetura, que vão sendo encobertos, juntamente com suas histórias e memórias.

Hoje, em meio a pandemia que nos assola tenho lido e ouvido diversos relatos de como as pessoas estão defrontando o isolamento social. Isso me fez olhar novamente para este trabalho e refletir sobre o que está acontecendo conosco.

A época de isolamento social na qual vivemos está para além da segurança de nossas vidas, somos, também, forçados a uma situação de reconhecimento de fartas questões, que passam pelo olhar para dentro de si, a crise do afeto, o veto à circulação pela cidade, a possível míngua de finanças e alimentos, dentre demais adversidades. Há de se destacar, porém, o problema tácito da ruína social que nos cerca. 


Enquanto a cidade carrega espaços regularmente apagados de sua imposição estrutural e urbana, carregamos também o mesmo apagamento, porém no espaço de nós para o outro e para nós. Esse impedimento que existe entre nós e o mundo externo, é uma barreira mútua entre as partes. Estamos dispostos a sair, ou tampouco entrar?
 


Texto 
Elton Hipolito |  Antônio Galvão |  Carla Alves, 2018 - 2020