(IN) RUPTURAS

Esta série, que está processo de elaboração, surge nesta época de isolamento social na qual vivemos, época que está para além da segurança de nossas vidas. Somos também forçados a uma situação de reconhecimento de fartas questões, que passam pelo olhar para dentro de si, a crise do afeto, o veto à circulação pela cidade, a possível míngua de finanças e alimentos, dentre demais adversidades.

 

Há de se destacar, porém, o problema tácito da ruína social que nos cerca. Enquanto a cidade carrega espaços regularmente apagados de sua imposição estrutural e urbana, carregamos também o mesmo apagamento, porém no espaço de nós para o outro e para nós. Esse impedimento que existe entre nós e o mundo externo, é uma barreira mútua entre as partes. Estamos dispostos a sair, ou tampouco entrar?

Partindo desta observação, a série (In)Rupturas debruça-se na investigação dos efeitos psicológicos e dos impactos sociais potencializados pela situação pandêmica, relacionando as demolições e arruinamento do espaço urbano com a própria relação de sentimentos e memórias, onde o mesmo apagamento reflete-se em cada um de nós.

 

A série fundamenta-se em estudos feitos por mim nos últimos meses, valendo-me de leituras de reportagens e artigos, escutas e relatos de pessoas próximas, anônimos, bem como auto-observações. O objetivo foi de compreender quais são esses efeitos psicológicos, se serão modificados ou mantidos daqui em diante, aprofundando-se principalmente nos reflexos dentro do processo artístico.


Texto 
Elton Hipolito |  Antônio Galvão |  Carla Alves, 2020

RUÍNA IMPOSTA
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